segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Fóssil de mamífero pré-histórico começou a ser coletado em Itaboraí


A equipe comandada pela paleontóloga Lilian Bergqvist iniciou, na sexta-feira (29/08), a coleta do fóssil de um xenungulado (Carodnia Vierai), animal de 55 milhões de anos encontrado recentemente no Parque Paleontológico Municipal de São José, em Itaboraí. Ela foi acompanhada pelo subsecretário de Meio Ambiente da Prefeitura, André Pereira, e do gerente do Parque, Luís Otávio Castro, responsável pela descoberta. O grupo conseguiu fragmentar uma grande rocha na qual se encontram encravadas partes do animal.

Na segunda-feira (01/09), a equipe deu prosseguimento às atividades, quando parte do material já pode  ser enviado para estudo no Laboratório de Macrofósseis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Esse achado é de grande importância para a ciência, mas também para o Parque, que ganha cada vez mais visibilidade, possibilitando a busca por novos parceiros para nos ajudarem a investir em melhorias e na preservação da área, democratizando o espaço para toda a população", disse Pereira.

Lilian Bergqvist estuda a área há 20 anos, e ressaltou que o trabalho é feito com bastante critério e cuidado, para que nada seja perdido.

"Após a coleta, vamos iniciar os estudos laboratoriais para reafirmar a espécie, que já sabemos que se trata do Carodnia Vierai. Em seguida, vamos registrar tudo o que identificarmos, baseados na literatura já existente e na morfologia dos animais atuais, como a comparação que pudemos realizar com a anta, embora não seja uma parente", disse Bergqvist.

Após os estudos no Laboratório, que já conta com uma réplica do esqueleto de um xenungulado montada por Bergqvist, os fósseis serão tombados para, posteriormente, retornarem ao Parque de São José, onde permanecerão para observação pública.

"Sou nascido e criado aqui e é um privilégio inestimável ter encontrado esse fóssil. Isso só demonstra o grande potencial científico que tem o nosso parque. E me dá muito prazer ver o crescimento do interesse da população local pela história. Vejo hoje muitas crianças passando por aqui e dizendo que, quando crescerem, sonham em ser geólogas ou biólogas", disse Luis Otávio Castro.

No Parque já foram encontradas diversas outras espécies. A arqueóloga Maria Beltrão, que dirige o Parque Paleontológico de Itaboraí, estima que a região abrigue um fóssil humano, ainda a ser encontrado, de cerca de 2 milhões de anos, cuja descoberta mudaria a história da ocupação da Américas.

O Carodna Vierai é o maior mamífero do Paleoceno já descoberto, medindo cerca de 2,5 metros de comprimento por 1 de altura. Seu peso é estimado em mais de 400kg. A comparação com a anta se dá devido ao seu tamanho e formato do corpo semelhantes a ela. Seu parente mais próximo já encontrado é o Carodnia Feruglioi, um pouco menor, que habitava a região da Patagônia argentina.

O Parque Paleontológico de São José

Em 1928, um fazendeiro achou pedaços de rocha que considerou interessantes. Levou para análise e descobriu que se tratava de calcário. Com isso, a área foi vendida para a Companhia Nacional de Cimento Mauá, que aproveitou o material na construção da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói) e do Estádio Mário Filho (Maracanã). A fábrica foi visitada por grandes personalidades, incluindo alguns presidentes da república, sendo considerada uma das experiências mais bem-sucedidas de fabricação de cimento no país.

Com a exploração mineral, descobriram-se vestígios arqueológicos. E quando o calcário terminou, em 1984, restou uma depressão de 70 metros, que foi progressivamente coberta com água da chuva e de veios subterrâneos, erguendo um grande lago. Seis anos depois, em 1990, a Prefeitura Municipal de Itaboraí declarou a área de utilidade pública, através de um processo de desapropriação. Com isto, em 1995, nascia o Parque Paleontológico de São José, eleito pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (Sigep), órgão ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), um dos patrimônios da humanidade.

No Parque já foram descobertos fósseis de diversos mamíferos, gastrópodes, répteis e anfíbios, se destacando o tatu mais antigo do mundo e o ancestral das emas. Ambos do Paleoceno, datados de cerca de 55 milhões de anos. Foram achados, também, fósseis de preguiça gigante e mastodonte, da Idade Pleistocênica (aproximadamente 20 mil anos). Também foram encontrados restos arqueológicos, evidenciando a presença do homem pré-histórico no local.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Curta a página do Viva Itaboraí no Facebook http://www.facebook.com/VivaItaborai

Postagens populares